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Deputada Júlia Lucy concede Entrevista ao Portal EG News

Deputada Júlia Lucy, poderia contar um pouco de sua vida aqui em Brasília?

Sou mineira de Patos de Minas, passei minha infância em Ceilândia e a adolescência no Areal. Meu pai tinha um pequeno comércio e minha mãe era professora da Secretaria de Educação. Fui mãe aos 17 anos e decidi que iria passar no vestibular e em um concurso.

Entrei para o serviço público aos 18 anos, como servidora da Polícia Federal (2004-2013); depois passei no concurso para analista em ciência e tecnologia da Capes (2013-2014), me formei em ciência política pela Universidade de Brasília e, atualmente, sou servidora do Conselho Nacional de Justiça (desde 2014), licenciada para o mandato parlamentar.

O que a levou a candidatar-se ao cargo de Deputada Distrital?

Eu me dei conta de que estávamos numa situação tão lamentável como país e como cidade, tão profundamente corrompidos, que eu entendi que tinha que fazer alguma coisa para me contrapor a tudo isso. O desejo de ver mais mulheres na política brasileira foi um dos maiores motivos que me levou à candidatura.

Qual foi o eleitorado que a fez chegar à Câmara Distrital?

Eu comecei participando de projetos voltados à defesa da mulher e ao empreendedorismo, fundei o #LigaDelas, que realiza de cursos de capacitação e projetos de independência financeira e empreendedorismo para mulheres.

Me identifico muito com o que preconiza o partido NOVO e isso me ajudou a defender  suas bandeiras políticas como o desenvolvimento econômico, a redução da burocracia estatal e um Estado com menos intervenção na economia, além da geração de emprego e renda, a ética na política, a fiscalização dos gastos públicos e a promoção da chamada primeira infância.

Com essas bandeiras, tive votos em todas as Regiões Administrativas, com ligeira vantagem em Águas Claras, Guará e Plano Piloto.

Deputada, este é seu primeiro mandato, como avalia estes primeiros 17 meses de gestão?

Tenho sido um ano e meio de muito trabalho, aprendizado e resultados. Conseguimos avançar na pauta do desenvolvimento econômico, criamos as frentes parlamentares em defesa do Comércio Varejista, da Economia Criativa e da Primeira Infância e estamos construindo um novo entendimento na Câmara sobre a necessidade de se revogar leis que atrapalham a economia, luto também por um maior controle de constitucionalidade na Casa e a adoção da transparência total com dados abertos.  

A senhora utiliza verba indenizatória e demais regalias à disposição dos deputados?

Tive o mandato mais barato da Câmara Legislativa, economizando R$ 1,5 milhão apenas em 2019. Para isso, abri mão da verba indenizatória, cota postal, reduzi em 50% a verba de gabinete para a contratação de assessores. Recentemente, entrei com Mandado de Segurança no TJDFT para anular a votação do projeto que incluiu ex-deputados no plano de saúde da Casa, denunciando uma manobra antirregimental que, infelizmente, aconteceu na Casa. Enfim, temos defendido com muita coragem essas pautas para aproximar à sociedade do parlamento, sempre com respeito aos recursos do cidadão pagador de impostos.

A senhora realizou diversas fiscalizações e denúncias, pode falar um pouco sobre esse assunto?

Com uma agenda constante de fiscalizações conseguimos barrar a compra de carros oficias pela Câmara Legislativa e a licitação para instalação de restaurante na Casa, após identificação de sobrepreço no processo licitatório. Identificamos o sobrepreço na compra de cadeiras de rodas pelo Instituto de Gestão Estratégica da Saúde (IGES), representação acatada pelo Tribunal de Contas.

Representamos ao Ministério Público sobre diversos assuntos: como o questionamento sobre o contrato da Secretaria de Saúde com a empresa Sanoli, por deixar de entregar as refeições em unidades de saúde; solicitei análise sobre a legalidade e constitucionalidade da lei que permitiu o pagamento de indenização de transporte para procuradores e a representação que requer investigação sobre possíveis irregularidades na licitação para compra de uniformes escolares pela Secretaria de Educação, processo esse que foi suspenso. 

Representamos, também, junto ao Ministério Público de Contas, pedindo a suspensão da nomeação do senhor Valdir Soares como então superintendente de Saúde da região Sudeste, que abrange Taguatinga, por improbidade administrativa cometida quando ainda era prefeito no Piauí.

Quais seus projetos futuros para a população do DF?

Queremos desburocratizar o DF e trabalhar para fomentar a economia. Com a Covid-19, teremos uma crise muito grande que vai exigir muita responsabilidade por parte dos governantes. Precisamos reduzir os gastos do governo para conseguir fazer investimentos em infraestrutura e fomentar o desenvolvimento, gerando emprego e renda e reduzindo a dependência do DF do poder público, estimulando o desenvolvimento das nossas cidades.

Temos cinco inciativas prioritárias que acabamos de apresentar: o projeto de lei que institui a Política de Retorno das Atividades Econômicas (PRAE), visando promover apoio aos trabalhadores para o retorno das atividades comerciais. Uma importante iniciativa para o fomento do desenvolvimento econômico do DF no pós-pandemia, permitindo a transferência direta de renda para possibilitar o retorno dos trabalhadores às atividades laborais.

Também temos o projeto que garante proteção e auxílio para mulheres em situação de risco neste período de Covid-19; o projeto de lei para incluir os Conselheiros Tutelares entre o grupo a ser priorizado para realização de testagem em massa para a Covid-19; o PL que cria a “Política Geladeira Solidária”, de combate ao desperdício de alimentos, permitindo que restaurantes e lanchonetes possam doar seus excedentes de alimentos, desde que em perfeitas condições de consumo. Por fim, temos projeto de lei que concede isenção temporária para o Imposto sobre a Transmissão “lnter Vivos” de Bens Imóveis e de Direitos a eles Relativos (ITBI), que tenha fato gerador entre 1° de julho de 2020 e 31 de dezembro de 2020.

Como é estar em uma legislatura onde seu partido não faz parte da base do governo?

Trabalho de forma independente, apoiando as iniciativas do governo que são boas para a sociedade e sendo contrária aquilo que avalio não ser bom. O partido Novo tem essa cultura de independência, seus dirigentes não são mandatários e nem possuem vínculo com eles, o que nos deixa bem à vontade para defender posicionamento com a isenção e a transparência devida.

Mesmo não sendo da base do governo, como é o seu relacionamento com o GDF?

Respeito o governador Ibaneis e reconheço sua dedicação, em especial, durante a pandemia. Ele tem agido com coragem e seguindo dados e recomendações técnicas. Temos nossas divergências, mas ambos precisam entender que a nossa missão é diferente e que precisamos trabalhar para melhorar a qualidade dos serviços públicos ofertados à população, estimulando o desenvolvimento econômico. Seguirei fiscalizando e denunciando o que está errado, além de cobrar transparência e responsabilidade com os recursos públicos. Não espere de mim uma parlamentar que referende tudo o que o governo propõe.

Estamos em meio de uma pandemia, COVID-19, o que a senhora acha deste momento?

É um momento muito delicado que exige ainda mais responsabilidade por parte de todos nós, em especial, os governantes. Devemos seguir as recomendações das autoridade sanitárias, evitando a propagação do vírus. Mas precisamos, também, pensar em soluções efetivas para sairmos da crise econômica provocada pelo Coronavírus. Não podemos agir como se os recursos fossem infinitos e sair aprovando qualquer projeto sem antes saber dos impactos sociais, econômicos e fiscais que eles vão gerar.

Qual sua avaliação do governo do DF?

As decisões do governo tem sido rápidas e de modo integrado no combate a Covid-19. O sistema de saúde vem conseguindo absorver a nova demanda, mesmo que ainda faltem equipamentos de proteção individual (EPI) e outros insumos, houve uma estruturação neste momento de pandemia. As forças de segurança também estão atuando no combate ao coronavírus e os serviços essenciais estão em funcionamento. Agora isso tudo tem um preço e o governo precisa agir com responsabilidade, delimitando prioridades e reduzindo despesas não essenciais, assim como a reabertura gradual e responsável das atividades comerciais. 

E do Governo Federal?

Acho que o presidente Jair Bolsonaro precisa focar mais nos atuais problemas que temos no país ao invés de incentivar disputas institucionais e acirrar os ânimos no tocante à polarização que tomou conta do país. Temos que sair dessa de “nós” e “eles” e agirmos de forma a ter um país unido no combate ao Covid-19 e nas demais crises.

O Governador Ibaneis irá abrir o comércio do DF, qual sua opinião sobre isso?

Tenho ido à diversas Regiões Administrativas, fiscalizando unidades de saúde, visitando escolas que precisam de recursos do PDAF, recebendo demandas e ouvindo a população. O auxílio emergencial dos governos federal e distrital não tem chegado a muitos que precisam, obrigando trabalhadores informais e pequenos comerciantes a funcionaram clandestinamente, o que aumenta ainda mais o risco de contaminação. Defendo a abertura de forma organizada e consciente, seguindo rígidas normas sanitárias indicadas pelas autoridades de saúde e protocolos definidos pelo governo e pelas entidades representativas de cada setor.

Bom Deputada, agradecemos pela entrevista e gostaríamos que mandasse um recado aos eleitores do DF!

Eu agradeço pela oportunidade da entrevista e aproveito para colocar meu mandato totalmente à disposição da sociedade, que pode nos encaminhar sugestões, denúncias ou críticas por meio das minhas redes sociais (@julialucydf) ou pelo whatsapp (61 99929-0444)

O interesse da população pela política tem crescido nos últimos anos e essa é uma ótima notícia. Cada vez mais, temos cidadãos insatisfeitos com a qualidade dos serviços públicos ou com o total de impostos que pagamos, e precisamos deles para mudar a realidade do Distrito Federal e do Brasil, fiscalizando e cobrando os compromissos assumidos pelos governantes durante a campanha.

Link da matéria: http://www.egnews.com.br/politica/distrito-federal/entrevista-exclusiva-conheca-a-deputada-julia-lucy-novo/

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