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Júlia Lucy critica uso da questão de gênero por autoridades do governo para evitar enfrentamentos políticos

JP Rodrigues/Metrópoles

Cientista política afirma que presença feminina na política exige preparo e coragem, não blindagem

A cientista política e ex-deputada distrital Júlia Lucy criticou, em vídeo publicado no dia 28 de maio em suas redes sociais, o que considera o uso indevido da condição de mulher por parte de autoridades do governo federal para evitar embates no ambiente político. As declarações foram feitas no contexto da repercussão envolvendo a ministra Marina Silva.

“Me envergonha muito uma autoridade do governo brasileiro utilizar-se da questão de gênero para furtar-se de explicar e de fazer o enfrentamento”, afirmou. Segundo Júlia, o ambiente político exige preparo, disposição para o debate e enfrentamento de críticas. “Se você não quer disputa, não vá para a briga política. É simples assim”, completou.

A ex-parlamentar também apontou o que vê como um padrão de comportamento em figuras femininas ligadas ao atual governo, citando a ministra Marina Silva e Janja Lula da Silva, esposa do presidente. “Sempre quando começam a ser confrontadas, trazem essa questão de ‘como mulher, eu não aceito’”, afirmou. “Ser mulher não significa estar acima do bem e do mal, não significa um selo de santidade.”

Ao comparar com nomes da direita, Júlia citou episódios envolvendo Damares Alves, Bia Kicis e Carla Zambelli, que, segundo ela, também foram alvo de ataques, mas não receberam a mesma solidariedade. Para ela, o foco deve estar nas ações de cada indivíduo. “Vamos analisar o desempenho da pessoa. Vamos esquecer se é mulher, se é homem, se é preto, se é branco. Vamos cumprir um papel republicano de prestar contas à sociedade”, concluiu.

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